quarta-feira, 14 de março de 2012

FIORELLA MANNOIA E JOVENS DO AXÉ

Fiorella Mannoia lançou em janeiro deste ano seu mais novo CD - SUD, onde jovens músicos do Projeto Axé participaram no Brasil da gravação de algumas faixas. Este namoro da cantora italiana com o Axé é antigo, Fiorella sempre fez questão de estar presente nos shows realizados pelo Axé nas praças de Florença e Nápoli, e em 2011 foi madrinha do grupo nas requintadas apresentações do Umbria Jazz, importante festival que marca o verão italiano anualmente. Veio ao Brasil em novembro do ano passado para gravar com os artistas do Axé. Agora  levará o resultado deste magnífico trabalho ao vivo e a cores para toda a Itália, de norte a sul.
Será uma experiência das mais ricas para 10 jovens - alguns ex-educandos, hoje educadores. Além dos shows têm uma diversificada e explêndida agenda de visitas a templos de arte e marcos históricos, desenhada com muito gosto e alegria por Cesare La Rocca - presidente do Axé, mezzo florentino mezzo brasileiro.

Com o Axé e a música na cabeça...







Nelsinho foi pra Itália de cabeça feita.



Jovens do Projeto Axé em tournée na Itália


Correio da Bahia


Grupo do Projeto Axé viaja para fazer shows na Itália
Davi Lemos
Mariana David / Agência A TARDE
Os dez jovens artistas formados pelo Axé chegam à Itália na tarde de domingo
Os dez jovens artistas formados pelo Axé chegam à Itália na tarde de domingo
Dez jovens do Projeto Axé, que se destacam por seus trabalhos em dança, canto, percussão e capoeira viajaram neste sábado, em voo que partiu do Aeroporto Internarcional de Salvador às 23h55, para realizar shows em dez cidades italianas ao lado da cantora Fiorella Mannoia – que admira o trabalho do Axé e também já gravou com nomes brasileiros como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Lenine. Os jovens, que moraram na rua em algum período da vida, chegaram a Roma na tarde do domingo.
Os jovens artistas passarão por cidades como Florença, conhecida por ser o berço do Renascimento no século XVI, e também por Bolonha, Torino, Roma, Nápoli, Pordenone, Firenze, Milão, Pádua e Porto San Giorgio. Para três deles é a primeira viagem internacional. “É um sonho conhecer a Itália, país rico em cultura. Se não tivesse conhecido o Axé há cinco anos, talvez eu ainda estivesse catando (alimentos) na feira para comer”, disse o cantor João Pedro Reis, de 18 anos. Ele cantou na faixa do novo CD de Fiorella Mannoia, “Sul do Mundo”, que tem como tema a conviência entre os povos: “Convivere”.
Será também a primeira viagem do capoeirista Carlos Alexandre Souza Costa, mais conhecido como China, de 26 anos. Justamente ele que treinou muitos outros garotos que, por seu estímulo, já realizaram, antes dele, viagens como esta. “Estou muito feliz em poder fazer minha primeira viagem internacional”, conta China, que também teve experiências nas artes cênicas, passando pelo  Teatro XVIII e fazendo, inclusive, participação em “Ó Paí Ó”.
“Mas também fui um daqueles capitães da areia que o Jorge Amado descreve, lidando com prostitutas, drogados, pegando até em arma”, conta o mestre China. Em seus 22 anos de história, o Projeto Axé já devolveu à sociedade pelo menos 18 mil jovens até então marginalizados. Pela via da arteducação, vislumbraram novas possibilidades.
“Pai e mãe” - O mais velho do grupo, o professor de dança e coreógrafo, Eduardo Vieira, 31 anos, diz ser um privilegiado por fazer parte do Projeto Axé e ressalta: “O Projeto Axé foi meu pai e minha mãe. Através dele, conheci não só a cultura, mas a importância da educação formal”, ressalta Eduardo Vieira. A também dançarina Hosana Reis, de 21 anos, ex-educanda do projeto e hoje funcionária, também fará sua primeira viagem internacional. Ela conta que, até 2003, tinha que vender algodão doce, amendoim e adereços para crianças nas ruas de Salvador. “Antes de vir para o Projeto Axé, em 2003, passei quadro anos na Fundação Cidade Mãe”, contou a garota.
O fundador do Projeto Axé, Cesare la Rocca, salienta que um terço dos 80 funcionários do Axé são ex-educandos. Ele explicou que Fiorella Mannoia se apaixonou pelo Axé “porque ela é uma artista”. E completou: “Para o Axé, arte e educação são a mesma coisa. E muita gente me criticou, pois me diziam que tinha apenas que encher a barriga deles (dos jovens atendidos)”, conta Cesare la Rocca. E  lamenta não ter na Bahia as oportunidades de apresentar os talentos do Axé como ocorre no exterior.
O co-fundador do Projeto Axé, Marcos Cândido, diz que a ida dos jovens à Itália contribui para que a Europa ultrapasse a barreira das diferenças culturais. “Eles vão dar testemunho de que é possível conviver com paz, dignidade e respeito”, ressaltou Cândido. O grupo de jovens será completado pelos dançarinos Maria Paula Souza, 23, e Cristian Rebouças, 22, os percussionistas André Luiz de Menezes, 19, Nelson Paulo Pena, 22, André Barbosa, 28, e o capoeirista e bailarino Mateus Gomes de Jesus, 20.


sexta-feira, 9 de março de 2012

Jorge Amado, Cem Anos em sua Companhia

O Projeto Axé realizou, de 27 de fevereiro a 02 de março deste ano, mais uma formação de seus trabalhadores visando o planejamento para realização das atividades artísticas e pedagógicas em 2012.
2012, ano do centenário de Jorge Amado, escritor maior da Bahia, autor que deu voz e realçou a humanidade de personagens criados a partir de sua vivência com o povo negro, pobre e discriminado desta terra. De meninos das ruas (Capitães da Areia) ao importante Ojuobá Pedro Archanjo (Tenda dos Milagres), a denúncia das injustiças, das desigualdades, da violência mas também a poesia e a beleza que brotam dessas densas vidas, e que tem o Pelourinho como cenário.
O Axé se encontra em Jorge Amado. Estamos em casa para falar de temas que permeiam seus livros e que vivemos em nosso dia a dia.
2012, ano do centenário de Luiz Gonzaga, o rei do baião. Pernambucano que chega ao Rio de Janeiro com uma sanfona nas costas e torna-se o maior compositor da cultura popular do Nordeste, seus costumes, suas dores e lutas mas também suas festas, sua alegria de viver e sua fé inabalável.
O Axé vai unir estes dois expoentes da cultura brasileira para fazer os educandos aprofundarem seus conhecimentos sobre sua gente, sua história e enriquecer ainda mais seus saberes.

Pelo terceiro ano consecutivo a formação foi realizada no Hotel Portobello, em Ondina, e contou com a participação de toda a equipe educante do Projeto Axé: coordenadores, gerentes, técnicos, educadores, arteducadores, motoristas e cozinheiras. Todos ávidos de mais viver e mais saber, numa comunhão de esforços para acolher os educandos ainda melhor preparados.
A formação se iniciou com a exibição do vídeo da Festaxé IV - Sinfonia Amadiana, realizada pelo Axé em 2001 e com um documentário sobre a vida e a obra de Jorge Amado.


Myriam Fraga, poeta e diretora executiva da Fundação Casa de Jorge Amado, falou sobre sua obra com destaque para Capitães da Areia e Tendas dos Milagres, livros escolhidos pelo Axé para nortear este trabalho anual de planejamento. Abriu todas as portas do casarão azul do Pelourinho para que crianças, adolescentes e jovens do Projeto Axé possam visitar o fantástico acervo. Jorge para sua gente, sem limites.


O filme de Nelson Pereira dos Santos, Tenda dos Milagres (1977) tornou fértil o terreno para a palestra de Paloma Amado, filha de Jorge e Zélia, que encantou a todos com a simplicidade e didatismo para  desvendar  um dos nossos maiores tesouros. Emocionou-nos enquanto discorria sobre a análise dos aspectos literário, social, sincrético e cartográfico da obra de seu pai.


Os demais dias foram de muita discussão, reflexão e propostas para o ano que se inicia no Axé, com muita música, capoeira, dança e artes visuais.
Axé, Lua! Axé, Seo Jorge!

quarta-feira, 7 de março de 2012

Bazar das Famílias

                                                                    
Por Eliane Rodrigues

Anualmente realizamos o BAZAR DAS FAMÍLIAS NO PROJETO AXÉ. Em 17 de dezembro de 2011 foi a vez da sexta edição desse projeto que nos enche de alegrias. Sempre contamos com muitos parceiros e dessa vez obtivemos um muito importante, o BANCO SAFRA, que nos emprestou um andar inteiro de sua propriedade situado no mesmo prédio da nossa sede. Essa concessão nos possibilitou expandir os produtos dando mais elegância e sofisticação na organização do evento.


Percebemos que a cada ano essa ação tem se constituído mais e mais em um momento de reflexões sobre o sentido das doações e a importância desse gesto de doar e receber, de quem doa e quem recebe e porquê, permitindo assim o entendimento sobre a necessidade e a importância da distribuição (os objetos são muito úteis aos familiares), construindo a forma de fazê-los chegar até os familiares sem subjugá-los, fazendo a reflexão política do evento e assim contribuindo também na efetivação de políticas que garantam direitos iguais para todos. Esses encontros, aliados a outros encontros temáticos, têm sido marcados pela rica troca de informações, que contribuem para aumento do conhecimento e ampliação do patrimônio intelectual dos familiares e nosso também que, na condição de profissionais da área social comprometidas com a luta pelos direitos sociais, buscamos confirmar em ato princípios que regem o nosso fazer profissional de lutar sempre pela garantia desses direitos dos socialmente excluídos e pela sua emancipação, especialmente das famílias que precisam ser mais fortalecidas para exercerem o papel que lhe é de direito e que elas desejam - o direito de cuidarem das suas crianças e adolescentes.


Nesse encontro, considerando as dificuldades vividas pelas escolas públicas especialmente em relação à violência urbana, que pelo descompromisso e pela falta de concretização das Politicas Públicas de responsabilidade do Poder Público, professores e dirigentes escolares “acusam” os familiares pelos eventos violentos que acontecem nos espaços de ensino. Por outro lado os familiares, que têm a escola como a instituição de sua maior confiança depositando nela a esperança de ascensão dos filhos, se sentem desamparadas e desprotegidas revidando também com acusações, na medida em que são responsabilizadas pela violência nos espaços escolares. Assim sendo organizamos uma discussão que antecedeu ao bazar, sob o título Família X Escola: como fortalecer esse vínculo?

No desenrolar dos trabalhos, após a introdução do tema, dividimos os familiares em 04 grupos facilitados por assistentes sociais e estagiárias de serviço social e provocamos uma discussão no sentido de que elas apontassem algumas possibilidades de saídas para essa dificuldade que sabemos está acima da decisão das duas instituições, e que depende muito mais da vontade política dos governantes do que da decisão das instituições. Mesmo assim é importante que cada uma possa ter um momento de reflexão para pensar o seu papel e a sua contribuição para minimizar ou debelar essas questões. 

E os familiares trouxeram, dentre outras, as seguintes questões:


  1. Necessidade de mais reuniões entre famílias e escola;
  2. Equipar melhor as escolas;
  3. Melhorar a qualidade do ensino (má qualidade no ensino é fruto da má escolha nas eleições);
  4. Diálogos na família;
  5. Necessidade das escolas acompanharem os estudantes;
  6. Facilitar “que as famílias sejam atendidas individualmente na escola (ter assistente social)”. “Se os pais não forem atendidos na escola como vão saber o que está acontecendo”?
  7. Melhorar a condição de salário dos professores para eles não ficarem tão nervosos.



A partir das propostas podemos observar que as famílias sabem os caminhos, desejam a aproximação e têm disponibilidade para a contribuição. Sem dúvida nenhum os professores também sabem outros caminhos. Esses caminhos precisam se encontrar formando uma única via.

Quanto a nós exercemos o papel profissional de provocar essas reflexões e, na medida do possível, mediar as relações provocando a aproximação.

E quanto ao bazar fizemos uma inovação na cédula. Criamos o “axéreais” e, homenageando o mentor e Diretor Presidente do Projeto Axé Césare de La Rocca, colocamos a sua fotografia.


Quanto ao sucesso do bazar vocês vão conferir agora!
Nosso imenso agradecimento a TODOS que compreendem o sentido e a metodologia do Bazar e que, acima de tudo, contribuem com as maravilhosas e extremamente úteis doações.

ORGANIZAÇÃO DO BAZAR
 
 


MOMENTO DAS COMPRAS
      







A boneca que não tinha mais lugar na vida de alguém encheu de felicidade a outro alguém.




quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Almoço de Oxalá

Quem mora na Bahia ou quem bem conhece suas tradições sabe que em janeiro acontece uma das maiores festas de rua, afora o carnaval, na cidade de Salvador: a Festa de N. Senhor do Bonfim, ou no sincretismo afro-baiano, Oxalá, o mais poderoso Orixá do Candomblé.
Para a Igreja Católica uma das novenas mais concorridas e que conta com a devoção da maioria da nossa população. Para o Candomblé, a segunda quinta feira de janeiro é dia de lavar as escadarias da Igreja plantada no alto da Colina Sagrada - com muita água de cheiro e o axé de centenas de baianas. Esta é uma festa onde católicos e povo de santo se unem na fé e na alegria, promovendo uma imensa procissão de quase 2 milhões de pessoas, por 8 km, durante todo o dia. No trajeto, muito samba, muita brincadeira e muita devoção.
O Axé realizou uma pequena formação à véspera da "lavagem do Bonfim" (14/01), para que seus educandos conhecessem melhor a história da festa e tradição centenária do povo baiano.
Com direito a oferenda, e um almoço cujas iguarias deixariam Oxalá muito satisfeito!
Na ocasião, foram entregues às crianças os sapatinhos da promoção realizada pela KLIN durante o Natal, onde a cada par adquirido pelos seus clientes, o mesmo modelo era doado a uma criança do Projeto Axé.




terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Em visita a Salvador em 17 de novembro, o ministro da Cultura do Benin, Valentin Djenowtin e o embaixador do país africano no Brasil, Isidore Monsi, acompanhados do cônsul honorário do Benin, Marcelo Sacramento, foram recebidos pelo secretário de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, João Carlos Bacelar, e pela presidente da Fundação Gregório de Mattos (FGM), Isa Maria de Souza Silva na Casa do Benin – espaço administrado pela FGM. Presentes tanmbém o secretário municipal da Reparação, Ailton Ferreira, e o assessor de Rel Internacionais, Leonel Leal.

 
As autoridades foram recepcionadas com uma roda de capoeira, apresentada por alunos do Projeto Axé. Encantados com a apresentação, fizeram questão de tirar fotos com as crianças e experimentar os instrumentos musicais utilizados pela dança, como o berimbau e o atabaque.


 
Emocionado com a Capoeira, o ministro destacou a importância do aprendizado da cultura africana como meio de retirar as crianças da situação de risco. “Ao ver estas crianças, eu me lembrei dos meus ancestrais, que foram deportados para outros continentes, mas fiquei feliz em ver que existem pessoas interessadas em manter a cultura africana”.

Os educadores do Axé aproveitaram a ocasião para desenvolver trabalho pedagógico com os jovens, estimulando a sua curiosidade sobre aquele país, sua relação com o Brasil, sua cultura e história.


       

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